magalhaes.afonso@newsplex.pt - 27 ago. 14:29
Migração
Migração
Nós, que somos “um país de emigrantes”, assistimos diariamente a longas conversas sobre quem deve ou não viver em Portugal
Querida avó,
Muito se tem falado de Imigração. .
Por vezes fico com a ideia de que o tema “Imigração” é mais urgente de “ser resolvido” do que temas relacionados com: Educação, Saúde e Proteção Civil.
Enfim, é o que temos!
Por falar em emigrantes, lembras-te do Roberto Leal? Foi um dos emigrantes mais célebres que tivemos e que marcou uma geração.
Nasceu em Portugal, mais precisamente na Freguesia de Vale da Porca, no Município de Macedo de Cavaleiros. Ainda pequeno foi com a família para o Brasil. A vida não foi fácil, tiveram de trabalhar muito para se sustentar. Mas Roberto tinha um grande talento: a música. Começou a cantar e a levar um pouco da cultura portuguesa para o povo brasileiro.
Ficou conhecido pelas canções alegres, muitas com ritmos típicos de Portugal, como o vira e o fado. Mas também fazia músicas que misturavam o jeito brasileiro com o português. Era como uma ponte entre os dois povos.
Roberto Leal não foi só um cantor de sucesso. Ajudou muita gente a sentir orgulho das próprias raízes. Para os portugueses que moravam no Brasil, ele representava a lembrança da terra natal. Para os brasileiros, ele era uma porta para conhecer a cultura portuguesa de forma leve e bonita.
O legado dele está em várias coisas: nas músicas que continuam sendo cantadas, na forma como uniu as comunidades portuguesa e brasileira, e no carinho que deixou nos corações de quem o ouviu.
Nas festas populares, que acontecem um pouco por todo o país, continuam a passar temas do Roberto Leal como: “Bate o Pé”; “Arrebenta a Festa” e o “Arrebita”, entre outras. Muita gente sorri e recorda momentos felizes.
Os artistas nunca desaparecem. Vivem na memória do povo.
Roberto Leal deixou saudade, mas também deixou alegria e orgulho em ser emigrante.
Bjs
Querido neto,
Roberto Leal, foi (re)conhecido como cantor e compositor, com grande sucesso em Portugal e no Brasil, onde era considerado um embaixador da cultura portuguesa.
Em 2011, foi o vencedor da primeira edição do reality show “O Último a Sair”, transmitido pela RTP.
Sempre fomos um país de emigrantes e de imigrantes.
Creio que não querem combater a imigração ou regularizá-la. Sinto que estão é a incentivar o racismo e a discriminação pela religião, língua e etnia.
Já reparaste que não se fala dos emigrantes que compram casas com “Vistos Gold”?
Aqui na Ericeira existem imensos a comprar casas, nomeadamente alemães. Como já partilhei contigo, os alemães têm uma ligação à Ericeira desde a Primeira Guerra Mundial.
Há cinco anos migrei de Lisboa para a Ericeira e foi a melhor coisa que eu fiz.
Aqui na Ericeira há um bar onde estou todos os dias. Sempre cheio de estrangeiros, então aproveito para falar com eles, falar-lhes do que devem ver na Ericeira, sou assim uma espécie de guia turístico sem sair do mesmo lugar. E depois a dona – minha amiga há uma data de anos – acaba sempre por lhes falar de mim, que sou escritora, etc. – e ficamos para ali a falar dos livros que escrevo, de que tratam, se estão traduzidos ou não.
Aqui há dias estava a falar com um casal alemão e, a propósito de traduções, disse-lhes que tinha um livro a que o tradutor tinha dado um título diferente do meu (depois de me pedir autorização, claro) – e que eu tinha ficado com uma inveja danada porque o título dele era muito melhor do que o meu. O meu era “Viagem À Roda do Meu Nome” e, na tradução alemã, era “A Partir de Hoje Chamo-me Luís”.
É então que a rapariga abre os olhos esbugalhados, e exclama:
«Eu li esse livro quando era mais nova e adorei!»
Eu nem queria acreditar, e ficámos ali as duas a rir e a recordar passos da história do livro.
Realmente o mundo é muito pequeno…
Viva a globalização.
Bjs