Pedro Anastácio - 27 ago. 06:43
Carlos Moedas, o contorcionista eleitoral
Carlos Moedas, o contorcionista eleitoral
Carlos Moedas não tem um problema com a propaganda. Tem um problema com a propaganda dos outros e com ideias diferentes das suas
. Para Moedas, rede institucional da cidade deve servir como uma selfie em XXL de propaganda do próprio, feita pelo próprio. Um homem humilde que tem a necessidade de afixar cartazes por toda a cidade a auto elogiar o seu trabalho. Ou aparecer em 260 fotos num livro com 252 páginas.
Neste histórico de delinquência eleitoral, e numa pessoa comum e limitada por regras éticas e morais e exigente consigo próprio, diria para si mesmo: “Nas costas dos outros vemos as nossas. Aquele que não tem pecado, atire a primeiro pedra.” Se estas frases limitam uma pessoa comum, não limitam Carlos Moedas. É, aliás, bem demonstrativo que, num dos temas do seu mandato, a retirada de cartazes do Marquês de Pombal seja utilizada como arma de arremesso, quando Carlos Moedas foi o candidato que em 2021 optou por rasgar um consenso existente entre PS e PSD sobre a não colocação de cartazes eleitorais nessa praça, mesmo em período de campanha, colocando lá a sua propaganda.
Tem ouvido falar em radicais e moderados nesta campanha? O que dizer do radical que está disposto a rasgar consensos de anos entre principais partidos, mesmo quando são difíceis de obter? Como descrever a atuação de quem retira cartazes dos outros, mas entende que os seus não têm qualquer problema? Ocorrem-lhe mais palavras do que cinismo ou cínico?
A campanha eleitoral ainda está a começar, mas o que sugiro a um contorcionista eleitoral sem limites, é que se recorde do que afirmava Moedas candidato “Penso que é vergonhoso quando nós vemos que na nossa sociedade hoje, aquele que é o incumbente, que é Presidente da Câmara, utiliza os meios, utiliza o dinheiro dos contribuintes para fazer campanha política.” Modere a sua crítica, dê mais aos lisboetas do que cinismo, mentiras e propaganda. Discuta Lisboa e os seus problemas. Apresente soluções e trabalho. Foi tudo o que faltou nos últimos quatro anos.