expresso.ptAntónio Sarmento - 27 ago. 06:54

Doença dos Serviços de Saúde: diagnóstico fácil, tratamento difícil

Doença dos Serviços de Saúde: diagnóstico fácil, tratamento difícil

O problema da sustentabilidade de Sistemas Públicos de Saúde é global podendo chegar-se a um ponto em que estes são maus e os bons serão para muito poucas pessoas

Diagnosticar os males do Sistema de Saúde em Portugal é fácil pois os buracos estão à vista de todos, remendando-se provisoriamente uns, enquanto outros se vão abrindo.

. Um cunhado meu radicado nos EUA tem um seguro de saúde familiar que lhe custa uns milhares de dólares por mês. Há umas semanas, por uma dor lombar recorreu ao Serviço de Urgência dum Hospital, tendo-lhe sido pedida uma TAC lombar, que não mostrou lesões relevantes. Ao fim de uma hora teve alta com medicação sintomática. Por curiosidade foi ver a conta que o hospital apresentou à companhia de seguros: 12 mil dólares!

Qual será a solução?

Só há um caminho: a reforma estrutural do Sistema de Saúde oferecido aos Portugueses, encarando-a como um imperativo de interesse nacional.

E como será esta reforma? Tomara eu sabe-lo.

No entanto, existem princípios subjacentes a qualquer reforma global do Sistema de Saúde, nomeadamente:

1 – A saúde não pode ser um negócio como qualquer outro, venda de automóveis, apartamentos ou eletrodomésticos. Não se pode aceitar a sua essência meramente comercial, reduzindo-os a um bem de consumo e o doente a um cliente.

2 – Só existe uma Medicina, a centradas nas pessoas.

3 – Promoção de literacia em saúde, divulgada forma clara, mas fundamentada na Ciência. Também deverá incluir conceitos universais de dignidade humana, de compaixão e de beneficência, não esquecendo a difusão de uma cultura de respeito e de motivação de quem cuida dos outros.

4 – Ter em conta que, quanto pior for o SNS, piores irão ser os outros sistemas de saúde e vice-versa

5 – Cooperação e articulação com Serviços Públicos de Saúde dos Estados Membros da União Europeia para a resolução de problemas que são ou irão ser comuns a todos, pois se nada se fizer, no futuro nenhum país conseguirá, isoladamente, fazer frente aos desafios que os seus Sistemas de Saúde irão enfrentar.

4 – Encontrar possíveis mecanismos de financiamento que permitam Sistemas de Saúde sustentáveis, acessíveis e equitativos.

Assente nestes princípios é urgentemente a reforma radical do Sistema de Saúde, encarregando para esta Missão um Grupo de Peritos idóneos, com competência reconhecida em diversas áreas da saúde e a trabalhar a tempo inteiro, com um prazo pré-estabelecido para terminar esta tarefa. Esta Equipa deverá ser maximamente profissionalizada pois a saúde é demasiadamente séria para ser reformulada com amadorismos. Este trabalho deverá ser em exclusividade, e a equipa dever ter à sua disposição toda a logística e infraestruturas necessárias.

Este grupo responderá exclusivamente à Assembleia da República.

Aprovada a proposta, deverá ser rapidamente implementada o que só é possível com uma revisão de regulamentos administrativos bloqueadores de todas as inovações e mudanças em todos os setores da sociedade portuguesa.

António Sarmento, Chefe de Serviço no CHUSJ e Professor Catedrático da FMUP

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