www.publico.ptwww.publico.pt - 27 ago. 05:20

Cartas ao director

Cartas ao director

A nossa guerra

Perorando sobre os incêndios florestais que há mais de quatro décadas nos afligem, considero a nossa fragilidade ambiental como o resultado da conjugação infeliz de vários factores de impossível anulação. São eles: posição geográfica, características territoriais (pouco mais temos do que montes e pedras), alterações climáticas crescentes e, principalmente, a qualidade de um povo do qual faço parte, que não consegue produzir ou escolher – bons líderes para o conduzir. Excepto uns poucos exemplares que, num percurso de quase nove séculos, tivemos a sorte de terem existido. Nesse contexto e nem mesmo com a actuação de soldados abnegados agora mais bem equipados e preparados e o corajoso envolvimento da população, parece nunca vencermos a "guerra" que nos afecta há demasiados anos. O que implica (se quisermos, pelo menos, reduzir drasticamente os combates a travar) começar a exigir que os actuais governantes se apliquem como nunca para o obter.

Torna-se por isso necessária uma mudança radical na forma displicente ou algo incompetente como este problema tem sido encarado, e sendo cada vez mais evidente que os fogos de Verão terão de ser prevenidos ao longo de todo ano, é imperioso que o elenco governativo assuma a sua resolução. E, financiando devidamente para isso, estipule e acompanhe, como primeiro acto de gestão extracorrente dos próximos autarcas, uma acção permanente resultante do enquadramento regional na estrutura de âmbito territorial da Protecção Civil.

Celerino Dias, Sedielos

Quartos para estudantes

Parece que uma das razões de haver menos inscrições de estudantes no ensino superior se deve também à falta de quartos em conta. Para quem quiser ver e souber ler, nas montras do antigo edifício do Ministério da Educação (Av. República, em Lisboa) há dois cartazes que em duplicado e letras garrafais dizem: 1) mais 15 mil camas para estudantes até 2026; 2) aqui vai nascer uma nova residência para estudantes do ensino superior. Porém, ainda está tudo como em Março de 2018. Se é mentira, tirem de lá aqueles falsos anúncios. Se for verdade, então deitem mãos à obra e façam o que lá está prometido. Assim é que não vale.

José Rebelo, Caparica

Ninguém faz nada

Decresceram os números do acesso ao ensino superior? Que surpresa muito grande. Fala-se do aumento das exigências ao fim do secundário de um ano para o outro. É essa a lição? As associações académicas recentram o debate.

O actual modelo universitário é hostil à ascensão social como nunca foi desde o 25 de Abril. Os apoios sociais não bastam para suprir as necessidades dos estudantes, nem as licenciaturas os preparam para coisa nenhuma. O aumento das propinas são a maior vergonha que se permitiu desde há cinquenta anos, e hoje fala-se em descongelá-las? A habitação, o alojamento, vai como? E as reformas sucessivas que cada vez menos, desde Bolonha, protegem a excelência do ensino? E as reformas ao nível das instituições, que exclusivamente se focam na internacionalização o que quer que signifique , precarização e infantilização? E alguém com uma licenciatura, que futuro melhor pode aguardar do que alguém sem ela?

As respostas não são para dar, mantenham-se todas as perguntas retóricas. Diria alguém muito sábio, com muito mais anos disto que a maioria de nós de vida, que ninguém faz nada mas certo é que as coisas aparecem feitas.

Miguel Luís, Abrantes

Reembolsos do IRS vão encolher em 2026

Como este Governo está cheio de artimanhas, não dá ponto sem nó. Não dá nada, é só sacar. É verdade, com as novas tabelas de retenção do IRS, os reembolsos do mesmo, para o próximo ano de 2026, vão encolher. Sendo assim, como cidadão-contribuinte fiscal da Autoridade Tributária Aduaneira, vou deixar de solicitar facturas referentes às minhas despesas, deixando de ser fiscal da Autoridade Tributária e Aduaneira. Não me vendo por um valor de 250 euros, relativo a dedução de despesas gerais. Lamento que o Governo, em vez de incentivar os contribuintes, cada vez mais afugenta os cidadãos a serem cumpridores.

Mário da Silva Jesus, Codivel

NewsItem [
pubDate=2025-08-27 06:20:00.0
, url=https://www.publico.pt/2025/08/27/opiniao/opiniao/cartas-director-2145023
, host=www.publico.pt
, wordCount=653
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2025_08_27_999327493_cartas-ao-director
, topics=[opinião]
, sections=[opiniao]
, score=0.000000]