Pedro Mexia - 28 ago. 07:00
O amor obsceno
O amor obsceno
Seja qual for o valor do amante, o amor tem valor autónomo. Amando, o “eu” consegue sair de si, procura a devoção, abjura o cinismo
O amor é obsceno, ou antes, é um discurso obsceno, ignorado, depreciado, indecente porque sentimental, exposto e frágil: “Desacreditado pela opinião moderna, o sentimentalismo do amor deve ser assumido pelo sujeito amoroso como uma grave transgressão.” Isto é Barthes, claro. Regresso aos seus fragmentos amorosos a cada década, escolhendo as entradas que me dizem respeito na circunstância, como se faz com a Bíblia: abrimos ao acaso e aquela passagem em concreto é connosco.
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