Daniel Oliveira - 28 ago. 22:57
Porque pode
Porque pode
Para Netanyahu, não há lugar para a Palestina. Se for bem-sucedido na limpeza de Gaza, Israel não parará por aqui. Continua na Cisjordânia e continuará para lá dela, numa bebedeira amoral de poder ilimitado que tanto desumaniza a vítima como o agressor
O canal 12 israelita vazou gravações do ex-chefe dos serviços de informações das IDF, Aharon Haliva, que se demitiu do cargo depois do 7 de Outubro. Disse que “por cada pessoa morta a 7 de outubro devem morrer 50 palestinianos”. Não por vingança, mas para deixar “uma mensagem para as gerações futuras. Eles precisam de uma nakba de vez em quando”, explicou, referindo-se à catástrofe de 1948. E confirmou o que já foi dito por quase todo o entorno de Netanyahu: que, para a extrema-direita e o primeiro-ministro, “o Hamas é bom para Israel” porque “se toda a Palestina estiver destabilizada e enlouquecida, é impossível negociar” e “não haverá acordo”. Por isso foi tão importante separar Gaza da Cisjordânia, garantindo o controlo do enclave pelo Hamas. O objetivo sempre foi tirar a Autoridade Palestiniana, que tinha estatuto internacional, da equação, para rebentar com todas as possíveis pontes de diálogo: “o Hamas é uma organização contra a qual se pode lutar livremente, não tem legitimidade internacional”.
Já é Subscritor? Comprou o Expresso?Insira o código presente na Revista E para continuar a ler