observador.pt - 29 ago. 13:17
Carneiro diz que Marcelo e Marques Mendes deram "puxão de orelhas" ao Governo
Carneiro diz que Marcelo e Marques Mendes deram "puxão de orelhas" ao Governo
Puxão de orelhas está relacionado "com o facto de a AD se ter colocado no colo do Chega", aludindo a eventuais entendimentos entre a coligação PSD/CDS-PP e o partido de André Ventura, afirma Carneiro.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou esta sexta-feira que o primeiro-ministro e o Governo levaram “um grande puxão de orelhas” de Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes por se terem “colocado no colo do Chega”.
“O doutor Marques Mendes e o professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, na Universidade Verão do PSD, deram um grande puxão de orelhas ao primeiro-ministro e ao Governo da AD”, afirmou José Luís Carneiro, em Almodôvar, no distrito de Beja.
Segundo o líder socialista, esse puxão de orelhas está relacionado “com o facto de a AD se ter colocado no colo do Chega”, aludindo a eventuais entendimentos entre a coligação PSD/CDS-PP e o partido de André Ventura.
“E o que disseram, um candidato presidencial e outro Presidente da República, foi que isso punha em causa os valores fundadores do PPD”, prosseguiu.
Questionado sobre se o PS está disponível para entendimentos quanto à lei da nacionalidade, como defendeu Marques Mendes na Universidade de Verão do PSD, o secretário-geral do PS avisou que, “se o Governo optar por ficar no colo do Chega, isso é incompatível com o Partido Socialista”.
“O Governo tem que compreender o significado de querer estabelecer alianças com um partido que quer alterar a democracia portuguesa e o Estado de Direito”, argumentou.
Carneiro deu como exemplo do que alega em relação ao Chega o facto de este partido ter anunciado uma manifestação após o veto do Presidente da República à lei dos estrangeiros, na sequência do chumbo de cinco normas deste diploma pelo Tribunal Constitucional.
“Ou seja, uma manifestação contra um tribunal mostra-nos bem o que é que pretendem estas pessoas em relação ao regime democrático”, salientou.
José Luís Carneiro falava aos jornalistas à chegada a esta vila alentejana, ponto de paragem da rota na rota “Pela coesão e valorização do território”, que está a fazer pela Estrada Nacional 2 (EN2).
Carneiro diz que Governo se prepara para fazer campanha com Orçamento do EstadoO secretário-geral do PS disse esta sexta-feira que o Governo se prepara para fazer da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2026, cuja data limite é 10 de outubro, o “último ato de campanha eleitoral” autárquica.
“Isso parece-me evidente, porque primeiro foi o IRS. Dá agora para tirar depois. Foi o aumento extraordinário para os idosos. Dá agora para tirar logo a seguir. E vai apresentar o Orçamento do Estado, certamente com não sei quantos “powerpoints” e propostas eleitoralistas para ver se conseguem salvar os resultados das eleições autárquicas”, criticou.
José Luís Carneiro acrescentou que, em todo o caso, as medidas a apresentar no Orçamento do Estado “já não vão chegar”, pois “as pessoas não compreendem a insensibilidade” do Governo perante as consequências dos incêndios.
“Quando as pessoas estão a perder as suas vidas, o seu património e os seus bens, exige-se um primeiro-ministro presente, um primeiro-ministro que dê a cara, que assuma as responsabilidades e não um primeiro-ministro que para não dar a cara nem assumir as responsabilidades põe a falar um secretário de Estado”, acrescentou.
A campanha eleitoral para as autárquicas vai decorrer entre 30 de setembro e 10 de outubro, que é também a data-limite para o Governo entregar a proposta de Orçamento do Estado para 2026 no parlamento.
As eleições autárquicas realizam-se no dia 12 de outubro.
De acordo com a Lei de Enquadramento Orçamental, “o Governo elabora e apresenta à Assembleia da República, até 10 de outubro de cada ano, a proposta de lei do Orçamento do Estado para o ano económico seguinte”.
Líder do PS acusa Governo de “falhanço brutal na área da saúde”O líder do PS acusou ainda o Governo de “falhanço brutal na área da saúde”, apontando os casos de falta de médicos de família e de uma grávida que deu à luz em plena rua e apresentando medidas alternativas.
Após ter visitado o centro de saúde do concelho vizinho de Castro Verde, também no distrito de Beja, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, apontou o que considerou ser “mais um falhanço da política de saúde do Governo”.
“Este Governo prometeu, num plano de ação que apresentou, resolver várias questões do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente aquilo que é mais gritante, que é a emergência hospitalar”, assinalou.
No entanto, salientou José Luís Carneiro, o país assiste, “pelo segundo ano consecutivo, a grávidas a andarem de terra em terra para poderem dar à luz” e chegou-se “ao cúmulo terceiro-mundista” de uma mulher ter dado à luz “em plena rua”.
“É a prova de um falhanço brutal na área da saúde”, sublinhou.
Segundo o líder do PS, a comitiva socialista que visitou o Centro de Saúde de Castro Verde ficou a saber que este concelho alentejano tem “cerca de mil pessoas sem médico de família”.
O dirigente socialista aproveitou para lembrar as propostas do PS para o setor da saúde, como a capacitação dos cuidados de saúde primários.
Carneiro defendeu “um reforço das unidades de saúde familiar como instrumentos legislativos e de método de trabalho para responder às necessidades daqueles que ainda não têm médico de família, porque têm um método de intersubstituição dos médicos”.
“Quanto mais qualificada for a resposta nos cuidados de saúde primários, melhores serão as condições de vida da nossa população e menos procura haverá nos cuidados hospitalares”, frisou.
O secretário-geral do PS propôs também mais investimento nos cuidados domiciliários e nas equipas de cuidados na comunidade, de forma a permitir dar resposta “a montante à procura do SNS”.
“É necessário olhar para a composição da lista de utentes por cada médico de família, por forma a ajustar essa lista à diversidade dos territórios, à diversidade social e à diversidade das patologias, por forma a conseguirmos, em alguns casos, ampliar a lista de utentes do médico de família e, noutros casos, eventualmente diminuir”, apontou.
A introdução nos cuidados de saúde primários de especialidades médicas, como oftalmologia, psiquiatria ou estomatologia, com consultas programadas, foi uma das propostas.
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