pplware.sapo.pt - 29 ago. 19:30
"Nunca mais se quer sair de lá": funcionários alertam para o impacto do TikTok nos jovens
"Nunca mais se quer sair de lá": funcionários alertam para o impacto do TikTok nos jovens
Funcionários do TikTok manifestaram preocupações sobre o impacto negativo que o algoritmo da app poderia ter na saúde mental dos jovens.
Um vídeo tornado público no âmbito de um processo judicial nos Estados Unidos revela que funcionários e ex-funcionários do TikTok manifestaram internamente preocupações sobre o impacto negativo que o algoritmo da aplicação poderia ter na saúde mental dos adolescentes. Esta revelação contrasta com a imagem de segurança que a empresa tenta projetar publicamente.
As revelações do processo judicial na Carolina do NorteA controvérsia surge de uma ação judicial movida no ano passado por Josh Stein, o então Procurador-Geral da Carolina do Norte, juntamente com um grupo de outros procuradores estaduais.
Acusam o TikTok de práticas comerciais desleais e enganosas, alegando que a plataforma foi deliberadamente projetada para ser "altamente viciante para menores" e que a empresa tem enganado pais e jovens sobre os seus potenciais riscos.
Recentemente, o juiz Adam Conrad, do Tribunal Superior da Carolina do Norte, não só negou a moção do TikTok para arquivar o processo, como também ordenou que tanto a queixa como o vídeo em questão fossem tornados públicos.
O vídeo, uma compilação de excertos de reuniões internas, foi obtido pelo gabinete do procurador-geral durante a investigação e serve agora como uma peça de prova fundamental.
Várias vozes internas demonstraram preocupaçãoO conteúdo do vídeo expõe as dúvidas de alguns colaboradores da empresa sobre a segurança da aplicação para o público mais jovem. Nicholas Chng, que trabalhou na deteção de riscos no TikTok até ao ano passado, afirmou:
Infelizmente, algumas das coisas que as pessoas acham interessantes nem sempre são as mais saudáveis. De certa forma, incentivamos a publicação de alguns desses conteúdos devido à forma como a plataforma foi concebida. E, por vezes, preocupo-me com isso.
Outra declaração impactante vem de Brett Peters, atual chefe global de defesa e reputação de criadores do TikTok. No vídeo, Peters discute os "objetivos ambiciosos de fazer com que as pessoas permaneçam mais tempo na aplicação". Acrescenta ainda:
É literalmente por isso que estamos todos aqui, para ajudar a diversificar o ecossistema de conteúdos, para tornar o TikTok um lugar onde se pode obter tantos tipos diferentes de conteúdo que nunca mais se queira sair.
Alexandra Evans, que liderou as políticas públicas de segurança do TikTok na Europa até 2022, foi ainda mais direta, referindo que a aplicação "tem o uso compulsivo integrado". Evans expressou preocupação sobre o que isto poderia significar para outras "oportunidades", como "dormir, comer, mover-se pela sala e olhar alguém nos olhos".
TikTok tenta defender-se, claroEm resposta, um porta-voz do TikTok descreveu o vídeo como "enganador", classificando-o como uma "tentativa vergonhosa de distorcer uma conversa interna aberta sobre como tornar a plataforma mais segura, quando o TikTok estava apenas a começar, há cinco anos". A empresa alega que a compilação manipula conversas retiradas de contexto com o único propósito de enganar o público.
O porta-voz reforçou que, desde o seu lançamento, o TikTok tem desenvolvido um "historial robusto de confiança e segurança", com mais de 70 funcionalidades e definições destinadas a apoiar o bem-estar de adolescentes e famílias, que, segundo ele, o procurador-geral "optou por ignorar deliberadamente".
No entanto, Jeff Jackson, o atual Procurador-Geral da Carolina do Norte, acredita que o vídeo corrobora as alegações do estado.
Estes vídeos provam o que temos argumentado em tribunal: as empresas de redes sociais mantêm os jovens viciados para maximizar os lucros, mesmo à custa da sua saúde.
Afirmou. O processo judicial procura obter sanções financeiras e uma ordem judicial que impeça o TikTok de continuar com as práticas consideradas desleais.
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