observador.ptobservador.pt - 29 ago. 20:09

Com submarinos nucleares e navios de guerra, Trump cerca militarmente a Venezuela. Pode levar ao fim do regime de Maduro?

Com submarinos nucleares e navios de guerra, Trump cerca militarmente a Venezuela. Pode levar ao fim do regime de Maduro?

Trump envia "maior frota em décadas" para perto da costa venezuelana, mas ainda não é claro o objetivo dos EUA com ação militar. Maduro denuncia tentativa de golpe de Estado e pede apoio a Guterres.

Três contratorpedeiros com o sistema de combate Aegis, submarinos nucleares, uma aeronave de reconhecimento e um cruzador com capacidade de transportar mísseis guiados. Nas últimas semanas, os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram o aumento substancial da presença militar marítima na zona das Caraíbas, em particular nas águas ao largo da Venezuela. O país liderado por Donald Trump tem justificado o reforço da presença militar com o combate contra os cartéis de droga na região, mas o Presidente Nicolás Maduro tem uma opinião diferente, denunciando que Washington pretende levar a cabo uma operação militar em território venezuelano com o objetivo de derrubar o regime que vigora desde a chegada ao poder de Hugo Chávez.

“Defenderemos os nossos mares, os nossos céus e as nossas terras. Vamos vigiá-los e patrulhá-los. Nenhum império tocará no solo sagrado da Venezuela, nem no solo sagrado da América do Sul”, proclamou Nicolás Maduro, recusando as acusações de que o país que lidera é uma “ditadura baseada no narcotráfico”. Por sua vez, a procuradoria-geral norte-americana considera que o Presidente da Venezuela é um dos “maiores narcotraficantes do mundo” e uma “ameaça para a segurança nacional” nos Estados Unidos.

As intenções dos Estados Unidos com o envio de navios de guerra e submarinos nucleares ainda não são totalmente claras. A administração Trump tem insistido no argumento de que o Presidente da Venezuela é um “fugitivo”, acusando-o de liderar o poderoso Cartel de los Soles, que contrabandeia principalmente cocaína que depois chega aos EUA e à Europa. “É um chefe de um cartel narcoterrorista acusado nos Estados Unidos de tráfico de drogas”, classificou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, prometendo que Donald Trump usará “toda a força norte-americana” para parar o tráfico de droga.

Desde o primeiro mandato que o Presidente norte-americano tem feito tudo para desestabilizar o regime venezuelano, mas é a primeira vez que envia uma frota desta dimensão para perto da costa venezuelana. Além disso, a procuradoria-geral norte-americana anunciou uma recompensa de 50 milhões de dólares (cerca de 43 milhões de euros) pela cabeça de Nicolás Maduro em meados de agosto. É a maior compensação financeira de sempre oferecida pela Justiça dos Estados Unidos; é, por exemplo, o dobro da oferecida pela captura de Osama bin Laden.

O regime venezuelano está a sentir-se cercado e já avançou com as primeiras medidas, mobilizando 4,5 milhões de milicianos em toda a Venezuela, a par dos 15 mil militares enviados para a fronteira com a Colômbia. Tem também realizado operações para combater o tráfico de droga, para mostrar aos Estados Unidos que não desempenha qualquer papel nas redes montadas a nível internacional. Os EUA, ainda assim, não dão sinais de quererem reduzir a presença na região.

O poderio norte-americano nas águas venezuelanas

Foi a 7 de agosto que a procuradora-geral dos Estados Unidos aumentou a recompensa para quem concedesse informações vitais para a captura de Nicolás Maduro. Na altura, Pam Bondi acusava o Presidente venezuelano de usar “organizações terroristas estrangeiras” para trazer “drogas mortíferas e violência” aos Estados Unidos. “Sob a liderança do Presidente Trump, Maduro não vai escapar à Justiça e será responsabilizado pelos seus crimes terríveis.”

Uma semana depois, o New York Times noticiou que o Presidente norte-americano pediu “secretamente” ao Pentágono para utilizar as forças militares norte-americanas contra os cartéis na América Latina que estão assinalados como organizações terroristas — algumas delas na Venezuela. Mais tarde, a 21 de agosto, a imprensa internacional revelou que o envio de navios de guerra estaria destinado principalmente a vigiar a costa venezuelana.

Os Estados Unidos enviaram três contratorpedeiros lança-mísseis da classe Aegis, com a intenção de os deixar posicionados “ao longo de vários meses” ao largo da costa venezuelana. Para o desempenho desta missão, também foram destacados um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon, um navio de guerra equipado com mísseis e outras embarcações de média e pequena dimensões. Os EUA também enviaram 4.500 militares e 2.220 fuzileiros navais para perto da costa venezuelana.

Contudo, os contratorpedeiros e restantes navios sofreram um imprevisto: o furacão Erin. Por causa das condições atmosféricas desfavoráveis, a frota teve de voltar aos portos dos Estados Unidos. No entanto, esta segunda-feira, voltaram a alto mar e estão agora a caminho das águas venezuelanas, já tendo entrado na quinta-feira no sul das Caraíbas. Mais: a agência Reuters noticiou que os Estados Unidos reforçariam a sua presença militar na costa da Venezuela, enviando mais um submarino com capacidade nuclear e o cruzador de mísseis guiados USSLakeErie.

É uma autêntica demonstração da força dos Estados Unidos que pode causar danos consideráveis à  marinha venezuelana, bastante mais fraca do que a norte-americana. O regime de Nicolás Maduro conta que os navios de guerra cheguem às suas águas no início da próxima semana, multiplicando-se as ameaças e apelos à administração Trump para reconsiderar a sua decisão. “Nem sanções, nem bloqueios, nem guerra psicológica, nem assédio. Não puderam nem poderão. Não há como entrarem na Venezuela”, garantiu o líder venezuelano.

Ao Observador, John Polga-Hecimovich, professor de Ciência Política na United States Naval Academy e especialista em assuntos da América Latina, confirma que é “uma das maiores mobilizações de forças navais para o sul das Caraíbas em várias décadas”. No total, são 6.700 norte-americanos que estarão mobilizados para esta missão nas águas venezuelanas. O especialista compara também estes números com a invasão dos Estados Unidos a Granada em 1983 (sete mil militares) e com a invasão norte-americana do Panamá em 1989 (30 mil).

????Norfolk, #UnitedStates (????????)

Assets of the 22nd Marine Expeditionary Unit (MEU) are being loaded into the @USNavy’s USS Iwo Jima (LHD-7) off the coast of Virginia as she prepares to make for the Coast of #Venezuela (????????).

????: @USNavy https://t.co/e1Ud0dO6JZ pic.twitter.com/q8WXZvuch9

— SA Defensa (@SA_Defensa) August 20, 2025

Podem mesmo os EUA atacar a Venezuela ou matar Maduro?

Estes números são “significativos”, assume John Polga-Hecimovich. No entanto, o professor universitário não acredita que sejam suficientes para uma “invasão” dos EUA à Venezuela. “Caso um Presidente dos Estados Unidos decida alguma vez invadir a Venezuela, terá de haver um porta-aviões, bastante apoio e dezenas de milhares de militares para realizar a missão”, esclarece, acrescentando que os norte-americanos teriam de ter o apoio de alguns “aliados regionais” — como a Colômbia ou o Brasil — para providenciar “tropas, equipamentos e apoio logístico”.

Ainda assim, a Casa Branca mantém-se opaca quanto ao que vai fazer na Venezuela. Na quinta-feira, a porta-voz da presidência norte-americana não respondeu diretamente à pergunta se haveria um ataque direto a alvos dentro de território venezuelano. “Não me vou antecipar ao Presidente”, adiantou apenas, reforçando a ideia de que Donald Trump está “preparado para usar todos os elementos do poderio norte-americano para travar a entrada de drogas no país e trazer os responsáveis por isso à Justiça”.

Karoline Leavitt realçou, porém, que há “várias nações das Caraíbas e da região” que “aplaudiram” os esforços norte-americanos para combater o governo que é, na sua opinião, um “cartel narcoterrorista”. A porta-voz da Casa Branca insistiu noutra ideia: de que o Presidente venezuelano não é “legítimo”, principalmente após as eleições presidenciais do ano passado, em que existiram várias dúvidas sobre a legalidade da vitória de Nicolás Maduro, que é contestada pela oposição liderada por María Corina Machado.

Segundo o jornal Axios, não é claro o que Donald Trump fará. Nem o núcleo duro tem bem a noção de quais serão os próximos passos do Chefe de Estado em relação à Venezuela. “Isto é 105% sobre narcoterrorismo, mas se Maduro sair do poder ninguém vai chorar”, conta uma fonte ligada à presidência. Outra fonte relata que a presidência pediu um “leque de opções” e que está a avaliá-las. “Em última instância, esta é uma decisão do Presidente, mas Maduro devia estar a borrar-se todo.”

Para já, segundo a maioria das fontes ouvidas pela Axios, a esperança na Casa Branca é que Nicolás Maduro ceda o poder ou que seja assassinado por membros da oposição. Ao mesmo tempo, de acordo com o mesmo jornal, não está posta de parte a possibilidade de usar ataques de drones para matar o Presidente da Venezuela, ainda que vários membros da administração ressalvem que é uma solução extrema. É, portanto, uma situação de ambiguidade estratégica.

Mas há alguém que a pode desfazer: Marco Rubio. O secretário de Estado norte-americano e atual Conselho de Segurança Nacional nunca escondeu a animosidade que sente pelo regime venezuelano e por todos os governos socialistas da América Latina. O filho de cubanos que emigraram para os Estados Unidos considera que o regime da Venezuela é um dos principais alicerces do governo de Cuba — e isso ainda lhe dá mais um motivo para desgostar de Nicolás Maduro. Uma fonte próxima de Donald Trump confidenciou à Axios que “os cubanos à volta do Presidente não o estão a deixar em paz” sobre este assunto. A consequência? Maduro pode “acabar num saco para cadáveres”.

Com influência no núcleo duro de Donald Trump, Marco Rubio será o principal nome da Casa Branca a defender uma ação mais agressiva contra o regime venezuelano. Aliás, o secretário de Estado, em maio de 2025, escreveu uma dedicatória a María Corina Machado — o principal rosto da oposição na Venezuela — na revista Time, que a considerou uma das 100 pessoas mais influentes em 2024. “É a dama de ferro venezuelana. É a personificação da resiliência, tenacidade e patriotismo. Enfrentando desafios formidáveis, María Corina nunca desistiu da missão de lutar por uma Venezuela livre, justa e democrática.”

Se por um lado Donald Trump tem Marco Rubio a influenciá-lo, por outro alguns nomes da sua administração e grande parte da sua base eleitoral são abertamente contra qualquer ação militar norte-americana no estrangeiro. E não aceitariam de bom grado uma intervenção de Washington na Venezuela. Como analisa o professor universitário venezuelano Ramón Cardozo Álvarez num artigo publicado na Deutsche Welle, “um uso às claras da força contra a Venezuela poderia gerar tensões políticas internas dentro da coligação que apoia o Presidente”.

Nos ataques do Irão contra os Estados Unidos, Donald Trump já deu sinais que pode usar a força. Porém, isso motivou críticas da base eleitoral, sendo que vários nomes da administração — como o vice-presidente JD Vance — fizeram questão de realçar que era algo extraordinário e que visava apenas destruir o programa nuclear iraniano.

Em público, apesar de ter sido uma iniciativa do próprio, Donald Trump quase não fala sobre o envio desta frota para a costa venezuelana. Não houve qualquer anúncio — nem da Casa Branca, nem do Pentágono; as informações foram divulgadas pela comunicação social. A par disso, o Presidente norte-americano escolheu a procuradora-geral, que tem dado entrevistas a canais de televisão norte-americanos, para ser o rosto do cerco ao regime de Nicolás Maduro. Foi Pam Bondi quem anunciou a recompensa milionária para quem ajudasse a capturar o líder venezuelano.

A escolha de Pam Bondi mostra que a abordagem a este caso não é militar; é jurídica. O chefe de Estado pretende justificar as suas ações recentes com o facto de considerar o líder venezuelano “ilegítimo” e um “criminoso narcotraficante”, uma maneira de não desagradar à base eleitoral e tentar que o assunto passe relativamente despercebido no espaço mediático norte-americano.

“Pressionar Maduro”: o que podem querer os Estados Unidos com o aumento da presença militar?

Para John Polga-Hecimovich, não há dúvidas de que se trata de mais um exercício da “política internacional” de Donald Trump de “diplomacia coerciva”. “Eu acho que esta movimentação tem como objetivo pressionar Maduro, mas não acho que seja um esforço em toda a linha para que caia”, resume, explicando que a atual frota é “demasiado pequena para fazer alguma coisa de significativo para derrubar o regime de Maduro”.

O especialista aponta outras justificações, além da queda do regime. Uma delas consiste numa das promessas de Donald Trump durante a campanha eleitoral: a “guerra às drogas” e o fim da entrada de estupefacientes nos Estados Unidos através de redes organizadas. “A administração Trump acredita que o crime organizado transnacional na América Latina é uma ameaça real para os seus interesses”, diz John Polga-Hecimovich, acrescentando: “Ao prioritizar o combate ao tráfico de drogas internacional”, o Presidente norte-americano envia uma “demonstração de força” a todos os cartéis que organizam a entrada de estupefacientes no país.

Para além disso, John Polga-Hecimovich aponta outro motivo: enviar um sinal de força a toda a América Latina. “Manda uma mensagem aos líderes latino-americanos como Maduro de que os Estados Unidos estão dispostos a usar a ameaça da força para alcançar os seus objetivos e representa uma oportunidade para os EUA mostrarem que controlam a sua ‘esfera de influência nas Caraíbas'”, refere o professor universitário, salientando que demonstra a capacidade da marinha norte-americana de se “deslocar rapidamente para regiões politicamente sensíveis”.

Não é de estranhar, por isso, que vários líderes à esquerda na América Latina tenham criticado a ação norte-americana. O Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, já acusou os Estados Unidos de usarem “o narcotráfico como desculpa para uma invasão militar”. “O Cartel de los Soles não existe; é uma desculpa fictícia usada pela extrema-direita para derrubar governos que não lhe obedecem”, denunciou, frisando que, caso haja uma invasão, Washington transformará a Venezuela “numa nova Síria”.

A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum — que mantém até uma relação cordial com Donald Trump, mesmo sendo de esquerda —, também deixou críticas, apelando ao fim do “intervencionismo” e defendendo a “autodeterminação dos povos, a não intervenção e a resolução pacífica dos confrontos”. No mesmo sentido, o Brasil, pela voz do conselheiro da presidência Celso Amorim, vê com “preocupação” o envio de barcos de guerra norte-americanos para a Venezuela, cita-o o Globo: “Acho que a não-intervenção é fundamental”.

Em sentido inverso, governos à direita na América Latina, como a Argentina de Javier Milei, elogiam e veem com bons olhos as atitudes de Donald Trump e também consideraram o Cartel de los Soles uma organização terrorista, à semelhança do que fizeram os Estados Unidos.

Maduro pede apoio a Guterres, Corina Machado agradece e redobra ofensiva contra regime

Na Venezuela, Maduro tem dado grande importância à ação militar norte-americana. Não só pela imprevisibilidade de Donald Trump e pela possibilidade do fim do regime, como também como uma forma de mobilizar a opinião pública venezuelana contra os Estados Unidos e eventualmente ganhar capital político com isso.

“Após 20 dias contínuos de anúncios, ameaças, guerra psicológica, após 20 dias de cerco à nação venezuelana, hoje estamos mais fortes do que ontem, hoje estamos mais bem preparados para defender a paz, a soberania e a integridade territorial”, afirmou Nicolás Maduro esta quinta-feira, durante a supervisão de um exercício militar em que se vestiu com uma farda militar — uma forma também de demonstrar força perante o que diz serem as ameaças norte-americanas.

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Internacionalmente, a Venezuela tem pedido ajuda à Organização das Nações Unidas, em particular ao secretário-geral. O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, enviou esta sexta-feira uma carta a António Guterres em que expressa a “profunda preocupação” com a “escalada das agressões do governo dos Estados Unidos” contra a Venezuela. “Alcançaram nos últimas duas um nível de ameaça sem precedentes para a paz e para a segurança da América Latina e das Caraíbas.”

O líder da diplomacia venezuelana considera inaceitável que em “pleno século XXI” ressurjam as “políticas de força que ponham em risco a paz e segurança internacional”, apelando a Guterres que peça ao governo dos Estados Unidos para “pôr fim a estas ações hostis e a responder plenamente pela soberania, pela integridade territorial e pela independência da República Bolivariana da Venezuela”.

Ao mesmo tempo, para tentar ganhar apoios internacionais, a Venezuela tem conversado com o Brasil e a Colômbia sobre a situação. Para além disso, tem expressado as suas preocupações aos aliados russos e chineses, que saíram em defesa do regime venezuelano. Mas com uma nuance: a China foi muito mais enfática na defesa de Nicolás Maduro, opondo-se à “interferência de forças externas nos assuntos internos da Venezuela” e criticando diretamente a presidência norte-americana. A Rússia, que está a tentar ganhar a simpatia de Donald Trump para resolver a guerra na Ucrânia, expressou apenas a “solidariedade com a liderança venezuelana e confirmou o apoio abrangente” de Moscovo a Caracas, sem nunca criticar os Estados Unidos.

Em termos militares, o regime procura mobilizar 4,5 milhões de pessoas para a Milícia Nacional Bolivariana — uma força composta por civis voluntários, criada em 2009 pelo ex-Presidente Hugo Chávez e já oficialmente integrada na Força Armada Nacional Bolivariana. E tem reforçado a presença de militares na fronteira com a Colômbia.

Em sentido inverso, María Corina Machado tem feito várias entrevistas, esperando relançar o movimento de oposição a Nicolás Maduro dentro de fronteiras. No X, o principal rosto da oposição da Venezuela, que ainda se mantém no país em paradeiro desconhecido por questões de segurança, tem agradecido e elogiado a atuação norte-americana. “O regime de Maduro é uma estrutura criminosa que fez um grande dano ao país”, disse a dissidente venezuelana, subscrevendo e contribuindo para a narrativa dos Estados Unidos.

¡Esta es la Venezuela que viene!

Aquí puedes ver, en sólo 4 minutos, el sueño de millones de ciudadanos que ya estamos listos para el retorno de la democracia y un auge económico y social nunca antes visto en la historia de nuestro país.

La Transición ya empezó. Te… pic.twitter.com/7K5VykhE1B

— María Corina Machado (@MariaCorinaYA) August 28, 2025

“A transição já começou”, escreveu ainda María Corina Machado no X esta quinta-feira, prometendo uma nova era “do regresso da democracia” e um “auge económico e social nunca antes visto na História” da Venezuela. Pela boa relação que mantém com Marco Rubio, caso o regime caia, a opositora deverá ter o apoio norte-americano para assumir uma posição de destaque num novo governo.

Para já, uma invasão da Venezuela ou uma ação militar destinada a acabar com o regime estarão, ainda assim, longe de se concretizar. “O mais provável é que as forças navais se envolvam em operações de combate ao tráfico de droga e acabem por regressar aos EUA”, opina John Polga-Hecimovich. “Menos provável, mas ainda possível, é que haja um ataque contra um alvo militar”, prossegue.

“Quase impensável” seria uma invasão “destinada à mudança de regime”. “A única coisa que poderia provocar uma ação militar dos EUA seria, por exemplo, uma invasão venezuelana da Guiana”, diz John Polga-Hecimovich. Contudo, com um secretário de Estado abertamente contra regimes como o de Nicolás Maduro a sussurrar-lhe ao ouvido, Donald Trump pode mudar de opinião sobre este cerco militar, que não deixa de ser o maior das últimas décadas nas Caraíbas e cujos objetivos não são claros.

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