observador.ptobservador.pt - 29 ago. 19:24

Incêndios. Ministra do Ambiente defende "cuidado especial" no Parque Natural do Alvão

Incêndios. Ministra do Ambiente defende "cuidado especial" no Parque Natural do Alvão

Maria da Graça Carvalho frisou que áreas protegidas, como o Alvão, vão dispor de contratos-programa específicos a três anos com medidas a implementar no terreno, começando com as obras de emergência.

O incêndio do Parque Natural do Alvão, entre Vila Real e Mondim de Basto, queimou 1.600 hectares e atingiu áreas de grande valor de biodiversidade, disse esta sexta-feira a ministra do Ambiente, que defendeu um “cuidado especial” neste território.

Maria da Graça Carvalho sublinhou que as áreas protegidas, como o Alvão, afetadas pelos fogos rurais neste verão, vão dispor de contratos-programa específicos a três anos com medidas a implementar no terreno, começando com as obras de emergência.

O incêndio que começou a 2 de agosto em Sirarelhos, Vila Real, e se alastrou a Mondim de Basto, no mesmo distrito, deixou um rasto negro na serra do Alvão.

“Aqui o Alvão é particularmente triste”, afirmou a ministra à agência Lusa, durante uma visita à serra, onde se inclui o Parque Natural do Alvão (PNA), salientando, no entanto, que agora é “preciso olhar para o futuro”.

O fogo destruiu pastos, pinhal, bosques de folhosas e queimou 1.600 hectares dos 7.238 hectares desta área protegida, afetando também a zona da borboleta azul, uma espécie ameaçada que possui colónias no Alvão.

Maria da Graça Carvalho adiantou que o parque será um dos que tiveram “um maior prejuízo na questão dos grandes valores ambientais” e, por isso, é preciso um “cuidado especial para o Alvão”.

“É um parque pequeno, mas com uma grande riqueza ambiental e, infelizmente, não foi possível proteger essa grande riqueza que não está por todo o parque, que está localizada, mas que alguma dela ardeu”, apontou.

A ministra explicou que vão ser delineados planos específicos para cada um dos parques e para cada uma das espécies.

Em alguns casos poderá acontecer uma regeneração natural, mas, acrescentou, terá de ser feita a monitorização.

Quanto ao caso da borboleta azul é necessário monitorizar a população para se perceber o real impacto do incêndio, que “não é imediato”.

Trata-se de uma espécie muito frágil e com baixa tolerância a variações no ecossistema, que requer condições ecológicas específicas, com a sua planta hospedeira, a genciana, onde coloca os ovos, e a presença da formiga myrmica que a alimenta no seu formigueiro durante as últimas fases larvares.

“E estão a fazer essa monitorização para ver qual foi o efeito do incêndio nas várias espécies”, afirmou a ministra.

Durante a manhã, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), a ministra já tinha anunciado a publicação, esta sexta, de uma portaria que visa a recuperação dos ecossistemas, decorrente do decreto-lei que já estabelecia a compensação à perda de rendimento das empresas e agricultores.

“No Ministério do Ambiente e Energia concentramos a nossa portaria em toda a rede das áreas protegidas que tiveram um impacto grande dos incêndios e, para cada uma dessas áreas, a nossa proposta é haver um contrato-programa em que é listado o que é necessário fazer, começando pelas obras de grande emergência”, realçou.

Algumas dessas intervenções, avançou, já estão a ser feitas pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), nomeadamente no que diz respeito à retenção de cinzas para evitar contaminar as águas, ou retenção dos solos para evitar derrocadas.

“Portanto, listar todas essas obras que são necessárias, reparar caminhos e pontes, a sinalética, e depois uma segunda parte de medidas mais estruturantes do restauro da natureza, da renaturalização”, acrescentou.

Será feita a monitorização do restauro natural, haverá novas plantações e serão criadas zonas tampão, com mistura de árvores.

“Nota-se em vários locais que tenho visitado, quando há uma mistura de árvores que têm mais humidade, como os carvalhais, serviram de tampão ao incêndio”, realçou.

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