observador.pt - 29 ago. 14:57
Maison Margiela rende-se às celebridades. Miley Cyrus torna-se embaixadora da marca e rosto da campanha outono-inverno
Maison Margiela rende-se às celebridades. Miley Cyrus torna-se embaixadora da marca e rosto da campanha outono-inverno
Com Glenn Martens ao leme de direção criativa da marca, a estrela pop surge numa campanha fotografa por Paolo Roversi, para um redefinir de rumo e estratégia no seio da etiqueta de luxo.
Trinta e sete anos depois da fundação, a Maison Margiela rompe com a visão de anonimato e coletivo que tem sustentado a marcada lançada por Martin Margiela e Jenny Meirens em 1988. Pela primeira vez na sua história, convoca uma celebridade de peso para dar corpo à nova campanha outono/inverno 2025. A cantora pop Miley Cyrus torna-se assim embaixadora da marca de luxo sedeada em Paris, avança o Businness of Fashion. Fotografada pelo italiano Paolo Roversi, a campanha retrata Cyrus numa série de retratos a preto e branco, para um resultado em que surge coberta por uma tinta branca, aparecendo com algumas peças da etiqueta.
Cyrus não é uma estreante a vestir Margiela, tendo encetado a relação em 2023, com uma série de looks a promover o seu single “Used To Be Young”. Também usou a marca nos Grammys de 2024, e foi esta marca escolhida para a festa dos Óscares da Vanity Fair deste ano, a título de exemplo. Cada vez mais envolvida na Moda, a estrela tem desfilado ainda criações de nomes como Alaïa, Schiaparelli, Tom Ford, e Saint Laurent. Agora em colaboração com a Margiela, a noter-americana ajuda a redefinir o rumo de um segmento a braços com a cultura da internet, todo o caldo do influencing digital, e o peso que um rosto de monta pode ter na balança. Em tempo de arrefecimento acentuado no mundo do luxo, a marca dá sinais de necessária adaptação, contando com o estilo de Roversi para manter os seus códigos. “A técnica Bianchetto da Maison transforma Miley Cyrus em retratos de Paolo Roversi, para a coleção Outono-Inverno 2025. O tratamento da tinta branca transforma a superfície numa tela em branco, possibilitando a revelação do traço do tempo.”, descreve a maison nas suas redes.
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Foi em outubro de 2009 que chegou o anúncio de que o belga Martin Margiela (o discretíssimo criador que sempre evitou entrevistas presenciais) renunciaria ao cargo de diretor criativo. Após a partida do fundador, a autoproclamada marca iconoclasta a avant-guarde ficou entregue a uma equipa de design anónima. Depois da passagem pela sua marca homónima, pela Givenchy, e pela Dior, John Galliano assumiu os destinos da casa entre 2014 e 2024. Este ano, em janeiro, entrou ao serviço o belga Glenn Martens, para uma era em que a figura do embaixador é determinante no galático sistema da Moda.