expresso.ptexpresso.pt - 29 ago. 13:19

Cortes no abastecimento de gás sobem 40% devido a acidentes nas redes

Cortes no abastecimento de gás sobem 40% devido a acidentes nas redes

De acordo com um relatório da ERSE, a Tagusgás foi a operadora de redes de distribuição que apresentou maior número médio de interrupções em 2024 (57,1 por cada mil clientes) - seguida pela Portgás, Lusitaniagás, Lisboagás e Beiragás -, devido ao "aumento dos casos fortuitos ou de força maior (80,4%)

O número de clientes de gás natural que no ano passado registaram interrupções no fornecimento de energia aumentou 39%, revela a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) no seu mais recente Relatório da Qualidade de Serviço Técnica do Setor do Gás, o qual traça um retrato detalhado sobre o desempenho dos operadores das infraestruturas de gás durante o último ano. O documento conclui que em 2024 se registou, em termos globais, uma degradação do desempenho das redes de distribuição de gás em Portugal, "explicada sobretudo pelo aumento de interrupções acidentais".

Os números recolhidos pelo regulador mostram que dos quase 1,6 milhões de clientes de gás natural que existem em Portugal, 16.604 (1,1%) ficaram privados de abastecimento nas suas instalações, sendo que "cerca de 80% das interrupções foram classificadas como interrupções não controláveis acidentais e motivadas por casos fortuitos ou de força maior". Por cada mil clientes registaram-se 10,58 cortes com origem nas redes de distribuição de gás, que se estende por 21.644 quimómetros e cuja operação em Portugal está a cargo de 11 empresas diferentes, consoante a região do país: Beiragás, Dianagás, Duriensegás, Lisboagás, Lusitaniagás, Medigás, Paxgás, Portgás, Setgás, Tagusgás (estas nove do grupo Floene), e ainda Sonorgás e a REN Portgás.

Em termos de desempenho individual, o relatório da ERSE conclui que os operadores de rede Lusitaniagás, REN Portgás, Tagusgás e Setgás apresentaram uma deterioração dos seus indicadores de continuidade de serviço face a 2023, enquanto a Beiragás, Duriensegás e Lisboagás verificaram melhorias no desempenho das suas redes. Duriensegás, Paxgás e Sonorgás não registaram interrupções nas suas redes em 2024 e a Medigás, por sua vez, manteve níveis relativamente estáveis de interrupções, sem variações significativas face ao ano anterior.

De todas as empresas, a Tagusgás foi a que apresentou maior número médio de interrupções (57,1 por cada mil clientes) - seguida pela Portgás (15 em 1.000), Lusitaniagás (8,8), Lisboagás (8,7) e Beiragás (8,3) -, devido ao "aumento dos casos fortuitos ou de força maior (80,4%). Estas situações decorreram de trabalhos de terceiros na proximidade da rede de distribuição", explica o regulador. Por outro lado, 13% dos cortes no abastecimento de gás foram controláveis e previstos peelos operadores, relacionados com trabalhos de renovação da rede.

Em termos de duração dos cortes de gás, o valor médio por cliente, a nível nacional, foi de 2,75 minutos, um valor que aumentou 40% face a 2023. Ainda assim, o relatório conclui que no ano passado "todos os padrões gerais associados aos indicadores de continuidade de serviço foram cumpridos pelos operadores das redes de distribuição".

Além de analisar a continuidade do serviço de fornecimento de gás, os níveis de pressão e as características do gás nas redes de distribuição (aquelas que chegam aos consumidores finais), a análise da ERSE inclui também as redes nacionais de transporte e o Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL), em Sines, operados pela REN. No que diz respeito à rede de transporte de gás (1.375 quilómetros), a ERSE não registou incidentes no ano passado, tal como já tinha acontecido em 2023.

no Terminal de GNL, em Sines, realizaram-se 53 descargas de navios metaneiros, menos três (-8,3%) do que em 2023, sendo que o tempo médio efetivo de descarga de navios metaneiros aumentou 2,4% (para quase 20h36 minutos), face ao ano anterior. Também eumentou o tempo méedio de enchimento de camiões-cisterna (+3,7%) e o número de cisternas carregadas (+8,1%, para 7.332).

"Portugal não produz gás, importando 100% do gás que consome. O gás chega ao país por gasodutos (Campo Maior ou Valença do Minho) ou por via marítima (Sines) e é armazenado em instalações próprias (Carriço e Sines) que abastecem a rede de transporte. A partir desta rede chega a casa dos consumidores através de redes de distribuição", explica o regulador. No ano passado Portugal recebeu 25 navios de gás natural na Nigéria, 23 dos Estados Unidos, três da Rússia e dois de Trinidad e Tobago.

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