sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 29 ago. 12:00

Austrália acusa Irão de ataques antissemitas

Austrália acusa Irão de ataques antissemitas

Investigações das autoridades australianas concluem que o Irão é responsável por ataques antissemitas no país. Diplomatas iranianos foram expulsos. Irão nega envolvimentos e a tensão escala

A tensão diplomática entre o Irão e Austrália aumentou esta semana, depois de o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, ter dito que o governo iraniano é responsável por uma série de ataques que visaram a comunidade judaica naquele país. Como consequência, na terça-feira, o chefe do governo lançou um ultimato: deu uma semana ao embaixador do país, Ahmad Sadeghi, e a outros três diplomatas iranianos para deixarem a Austrália, o que já terá acontecido.

Em causa está o ataque à sinagoga Adass Israel, em Melbourne, ocorrido no dia 6 de dezembro do ano passado. De acordo com a Reuters, Younes Ali Younes, um homem de 20 anos, compareceu ontem num Tribunal de Melbourne, acusado do ataque, bem como do roubo de um automóvel. Além disso, o Irão também estará por trás de um outro ataque terrorista, desta vez ao restaurante Continental Kitchen, em Sydney, também ocorrido em 2024. 

Anthony Albanese foi informado pela Organização Australiana de Inteligência de Segurança (ASIO, sigla em inglês). «A ASIO reuniu informações credíveis suficientes para chegar a uma conclusão profundamente perturbadora. O governo iraniano dirigiu pelo menos dois desses ataques. O Irão tentou disfarçar o envolvimento, mas a ASIO sustenta que esteve por trás dos ataques», disse Albanese aos jornalistas, referindo que os ataques «foram atos de agressão extraordinários e perigosos orquestrados por uma nação estrangeira em solo australiano» e «tentativas de minar a coesão social e semear a discórdia na nossa comunidade». 

As investigações, segundo o governante, também encontraram ligações entre os ataques e a Guarda Revolucionária Islâmica. Por esse motivo, a Austrália vai passar a listá-la como uma organização terrorista. 

O chefe dos serviços secretos australianos, Mike Burgess, explicou aos jornalistas que as investigações mostram que vários intermediários terão servido para despistar e afastar o envolvimento do Irão nos ataques. «As forças de segurança fizeram um trabalho extraordinário para rastrear a origem do financiamento desses elementos criminosos que foram usados como ferramentas do regime iraniano», disse ainda o primeiro-ministro australiano.

Ainda há poucas umas semanas foram apreendidos, no estado australiano de Victoria, telemóveis e outros dispositivos de suspeitos pelo ataque à sinagoga. Imagens capturadas mostram três pessoas, todos encapuzadas, a descarregar bidões vermelhos de combustível da mala de um Volkswagen Golf azul que tinha sido roubado. Uma das três figuras, que trazia consigo um machado, entrou na sinagoga e incendiou-a quando estavam pessoas dentro do edifício, não se tendo, contudo, registados feridos durante o ataque. Depois, os autores do ataque fugiram dentro do mesmo veículo. 

No mês passado, a vice-comissária da Polícia Federal tinha anunciado um total de sete mandados de busca e que o ataque à Sinagoga tinha motivações políticas e envolvia pessoas estrangeiras. «Suspeitamos que esses criminosos tenham trabalhado com parceiros criminosos em Victoria para realizar o ataque incendiário», disse Krissy Barrett em conferência de imprensa. 

Irão nega acusações 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que «rejeita categoricamente» a acusação da Austrália sobre o envolvimento de Terão nos ataques ocorridos. 

Ontem, Ahmad Sadeghi descreveu as acusações da Austrália como não sendo credíveis, baseando-se apenas em «alegações infundadas» e afirmando que o próprio Irão tem uma grande comunidade jucaica. Neste sentido, considerou que as investigações da ASIO são «um mal-entendido entre a Austrália e o Irão» e que têm o objetivo de espalhar uma «conspiração contra as nossas relações amigáveis com a Austrália». Declarou ainda: «Eu amo o povo australiano».

Já o vice-presidente da Sociedade Iraniana Australiana de Victoria apelou a que a comunidade iraniana da Austrália não fosse confundida com as ações das autoridades iranianas. «É importante que as pessoas reconheçam que nós, a diáspora iraniana, nos opomos ao que acontece no Irão», disse Kambiz Razmara. «A comunidade iraniana, em geral, está aqui porque busca liberdade, coesão social, liberdade de expressão e democracia, então somos totalmente contra qualquer coisa que mancha isso», acrescentou.

De acordo com o The Guardian, o responsável referiu que a expulsão do embaixador Ahmad Sadeghi é uma exigência da comunidade iraniana desde 2022, ano em que as mulheres iranianas viram os seus direitos serem restringidos. 

Curiosamente, as relações entre Israel e a Austrália também já viram melhores dias. Depois de o ministro do Interior australiano, Tony Burke, ter rejeitado um pedido de visto a um dos membros da coligação de Benjamim Netanyahu, que ia visitar o país para participar em eventos da Associação de Judeus Australianos, o primeiro-ministro de Israel acusou Anthony Albanese de «trair» Israel e «abandonar» a comunidade judaica australiana

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