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Israel declara Cidade de Gaza como “zona de combate” e põe fim a corredor humanitário

Israel declara Cidade de Gaza como “zona de combate” e põe fim a corredor humanitário

Decisão surge depois de Israel anunciar a intenção de ocupar totalmente a Cidade de Gaza e assumir o seu controlo.

O Exército israelita declarou esta sexta-feira, 29 de Agosto, a Cidade de Gaza como uma "zona de combate perigosa" e pôs fim às pausas humanitárias diárias que tinha anunciado há um mês, de modo a permitir a entrega de ajuda à população da cidade.

De acordo com um comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), as "pausas humanitárias" antes anunciadas, que deveriam garantir uma interrupção do fogo israelita durante dez horas por dia, ficam sem efeito.

A decisão surge depois de Israel anunciar que quer ocupar totalmente a Cidade de Gaza e assumir o seu controlo. Para avançar com este plano, as Forças Armadas vão convocar dezenas de milhares de soldados na reserva, que deverão receber as suas ordens de mobilização já a 2 de Setembro.

"No seguimento de uma avaliação da situação e das directivas do executivo, a partir das 10h desta sexta-feira, a pausa táctica de actividade militar a nível local não se aplicará à Cidade de Gaza, que constitui uma zona de combate perigosa", lê-se no comunicado divulgado nas redes sociais.

"As IDF continuam a apoiar os esforços humanitários, enquanto conduzem operações para proteger Israel", alegam as Forças Armadas, apesar de organizações como as Nações Unidas denunciarem repetidamente restrições à entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, bem como obstáculos impostos pelo regime israelita ao acesso a esses apoios.

Sucedem-se também os relatos de bombardeamentos e disparos contra pessoas à espera de ajuda humanitária. Desde o início da madrugada desta sexta-feira, as forças israelitas mataram pelo menos 51 pessoas em Gaza, segundo as autoridades de saúde locais, citadas pela Al Jazeera. Sete das vítimas aguardavam por ajuda humanitária.

No mês passado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel anunciou que as pausas diárias de dez horas permitiriam abrir corredores humanitários, para que as caravanas de organizações internacionais pudessem distribuir em segurança alimentos e outros bens essenciais na Faixa de Gaza.

Estas pausas decorreriam entre as 10h e as 20h e abrangeriam as zonas de Mawasi, em Rafah; Deir al-Balah, no centro do enclave; e a própria Cidade de Gaza, no Norte. À data, as IDF afirmaram que o objectivo era "melhorar a resposta humanitária em Gaza e refutar as falsas acusações de fome deliberada".

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, só nas últimas 24 horas morreram mais cinco pessoas de fome no enclave palestiniano, duas delas crianças. A privação alimentar extrema a que está sujeita a população da Faixa de Gaza (como reconheceu oficialmente a ONU) já matou pelo menos 322 pessoas, incluindo 121 crianças.

Já na passada quarta-feira, o porta-voz do Exército israelita deixou um aviso à população da Cidade de Gaza, afirmando que "a evacuação da cidade é inevitável" e prometendo a cada família que se deslocar para o Sul do território palestiniano "ajuda humanitária abundante".

Na rede social X, Avichay Adraee publicou também um mapa da Faixa de Gaza que pretendia assinalar locais para onde Israel sugeria que as famílias palestinianas se deslocassem, nas regiões de Khan Younis e Deir al-Balah. Contudo, segundo o diário israelita Haaretz, várias das localidades assinaladas foram já designadas por Israel como zonas de perigo.

A agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA) estima que o intensificar da ofensiva militar israelita na Cidade de Gaza obrigue até um milhão de palestinianos a fugir novamente dos seus abrigos. "Tendo em conta a fome já confirmada na área, qualquer escalada irá empurrar mais pessoas para a catástrofe e agravar o seu sofrimento", alertou a UNRWA nesta sexta-feira.

Entretanto, em Telavive, dezenas de milhares de israelitas continuam a manifestar-se para exigir a Benjamin Netanyahu que aceite um acordo de cessar-fogo e agilize o regresso dos 48 reféns que se acredita permanecerem na Faixa de Gaza. As IDF anunciaram esta sexta-feira que recuperaram o corpo de Ilan Weiss, raptado pelo Hamas a 7 de Outubro de 2023, e os restos mortais de um outro refém, ainda não identificado.

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