observador.ptobservador.pt - 29 ago. 17:46

Arqueólogos descobrem lagares romanos na Lourinhã

Arqueólogos descobrem lagares romanos na Lourinhã

Foi também encontrada loiça utilitária, como potes, taças e pratas, pesos de tear, uma moeda datada de finais do século IV depois de Cristo e quatro estruturas equivalentes a habitações.

Dois lagares de produção de azeite do período romano, até agora desconhecidos em Portugal, foram descobertos por arqueólogos durante escavações que decorrem desde 2022 e que são retomadas na segunda-feira na Lourinhã, foi anunciado esta sexta-feira.

Os trabalhos arqueológicos no sítio de São Lourenço dos Francos permitiram identificar e escavar “duas estruturas de lagar amovíveis, com mais de um metro de diâmetro, que seriam prensas para extrair o azeite”, afirmou à agência Lusa Gerardo Vidal Gonçalves, arqueólogo que coordenada as escavações.

“Não há qualquer informação científica publicada até agora da existência destas estruturas em sítios da época romana em Portugal”, explicou o também investigador da Universidade de Évora, sublinhando a importância do achado arqueológico.

Foram também já encontrados fragmentos de loiça utilitária, como potes, taças e pratas, pesos de tear, uma moeda do imperador romano Valentiniano II, datada de finais do século IV depois de Cristo, e quatro estruturas equivalentes a habitações.

“O facto de serem referentes à ocupação romana, significa que o sítio teria sido abandonado e não voltou a ser ocupado“, acrescentou.

A igreja de São Lourenço dos Francos, monumento do século XVI contíguo ao sítio arqueológico, possui no seu interior duas lápides da época romana dedicadas a Júlia Máxima e Caio Júlio Lauro, já conhecidas desde os anos 70 do século XX.

No âmbito do projeto de investigação que decorre desde 2022 e se prolonga até 2026, as escavações vão ser retomadas entre 1 e 12 de setembro, com o objetivo de colocar a descoberto as estruturas habitacionais identificadas e alargar a área do sítio já escavada.

A equipa de arqueólogos é constituída ainda por Dina Pereira e Martina Barada (Universidade de Pula, Croácia), auxiliadas por seis voluntários e alunos das Universidades de Coimbra e do Porto.

Além da Universidade de Évora, o projeto conta com colaborações da EROS Environment Research on Science Consulting, da Universidade da Extremadura e da Universidade de Pula, entre outras instituições.

O sítio arqueológico é o único no concelho da Lourinhã associado à ocupação romana e um dos poucos sítios a nível nacional onde os investigadores estão a proceder à digitalização dos achados e a criar um museu virtual.

Além das escavações, a equipa vai este ano colocar códigos de leitura QR Code para tablets e smartphones para visitas virtuais ao sítio, com explicação dos elementos mais importantes através de um guia virtual, utilizando as novas tecnologias da informação e digitalização.

A equipa vai ainda organizar, no dia 10, uma oficina de arqueologia prática.

O projeto é promovido pelo Município da Lourinhã e pela freguesia de Miragaia e Marteleira.

NewsItem [
pubDate=2025-08-29 18:46:04.0
, url=https://observador.pt/2025/08/29/arqueologos-descobrem-lagares-romanos-na-lourinha/
, host=observador.pt
, wordCount=418
, contentCount=1
, socialActionCount=1
, slug=2025_08_29_328190670_arqueologos-descobrem-lagares-romanos-na-lourinha
, topics=[ruínas, história, arqueologia, cultura, país, sociedade, lisboa, ciência]
, sections=[vida, sociedade, ciencia-tecnologia]
, score=0.000085]