sol.sapo.ptmagalhaes.afonso@newsplex.pt - 29 ago. 10:01

O labirinto de Ventura

O labirinto de Ventura

Com mais ou menos divisões internas, todos vão ter candidatos. E o Chega? O que fará o segundo maior partido?

As últimas legislativas deram ao Chega o estatuto de principal líder da oposição. André Ventura prometeu responsabilidade, mas escrutínio firme ao Governo. Garantiu que tem um projeto e uma equipa para apresentar ao país, capaz de ser uma verdadeira alternativa ao poder socialista e social-democrata. A 18 de setembro divulga o ‘governo-sombra’ do Chega. Tudo a pensar numas legislativas que ninguém sabe quando chegarão. A questão é que muito antes há autárquicas e presidenciais. E as duas representam desafios importantes para o Chega.

André Ventura não quer apoiar o candidato independente Gouveia e Melo, nem este se mostrou muito interessado, para dizer o menos, em ter o seu apoio. O Chega não tem figuras presidenciáveis que salvem a honra do convento e a experiência das europeias com Tânger Correia é de má memória. Apostar no independente Rui Moreira que está em reflexão? Entre os dois não há grandes afinidades, dificilmente se imagina Ventura a apoiar alguém que não pode influenciar e muito menos é líquido que Moreira queira o seu abraço. Não apoiar ninguém? Difícil, dado os peões já no terreno, seria o único a ficar fora de jogo e Ventura já prometeu que o Chega terá candidato próprio. 

Enredado no seu labirinto, não parece restar outra opção senão ser o próprio André Ventura a avançar. Antes das legislativas antecipadas era esse o cenário em cima da mesa. Após a grande votação, Ventura retrocedeu: a sua prioridade era agora ser alternativa à governação. Há dias novo retrocesso: «Estou mais perto de avançar». Essa é aliás a opinião de uma boa parte dos seus mais próximos, para mais embalados por sondagens que dão um Ventura a subir, quiçá capaz de chegar a uma segunda volta.

O canto das sereias tem apenas um pequeno grande problema: seria – ou será – a primeira vez que um líder do maior partido da oposição, e por inerência, candidato a primeiro-ministro, se candidata também ao mais alto cargo da Nação. Para quem se quer assumir como alternativa de poder, o que vai dizer ao país quando apresentar o governo-sombra? Quero ser primeiro-ministro, estou a trabalhar para isso, este é o meu projeto, a minha equipa, mas para já vou ali tentar Belém e já venho? Vai defender que o regime deve passar a ser presidencialista e com isso justificar ser candidato aos dois cargos? O país que ele quer conquistar vai levá-lo a sério? O crescimento de um partido tem custos, exige opções. Dia 12 de setembro há conselho nacional para discutir as Presidenciais. André Ventura está no meio de um intrincado labirinto.

Jornalista, editora-geral da CNN Portugal

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