publico.pt - 29 ago. 17:52
Ucrânia acusa Rússia de “prolongar hostilidades” e agir “com impunidade”
Ucrânia acusa Rússia de “prolongar hostilidades” e agir “com impunidade”
Zelensky faz questão de lembrar todos que Trump deu apenas “duas semanas” a Putin para concordar com uma reunião bilateral, antes de anunciar mais sanções: “Vão ser duas semanas na segunda-feira.”
Depois de uma quinta-feira que ficou marcada por um dos maiores ataques russos a Kiev, capital ucraniana — que vitimou 23 pessoas, de acordo com a última actualização conhecida —, a Ucrânia deixa vários avisos a Putin, que acusa de “prolongar as hostilidades” e de agir “com impunidade”.
As palavras do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, resumem a dor (e impaciência) de uma Nação: é preciso pressionar “para que os assassinos não se sintam impunes”. Em conversa com os jornalistas, referiu a necessidade de existirem garantias de segurança “juridicamente vinculativas”, construídas com o envolvimento de todos os líderes (onde contou com os europeus e com Donald Trump) e ratificadas pelos respectivos Parlamentos. Acima de tudo, quer que sejam “claras para todos” e que garantam o fim da guerra. Ainda que Putin não tenha mostrado qualquer interesse nesse fim e tenha rejeitado, até agora, todas as propostas europeias de garantias de segurança — que o Ministério dos Negócios Estrangeiros descreveu esta sexta-feira como “enviesadas e desenhadas para conter a Rússia”.
Zelensky sabe disso. E, por isso, faz questão de lembrar todos que Trump deu apenas “duas semanas” a Putin para concordar com uma reunião bilateral com a Ucrânia, antes de anunciar mais sanções. “Vão ser duas semanas na segunda-feira, e vamos lembrar toda a gente”, afirmou o Presidente ucraniano.
Para compor a campanha de alta pressão, o chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, esteve reunido esta sexta-feira em Nova Iorque com o enviado especial norte-americano para a Ucrânia, Steve Witkoff. Na agenda, levava o ataque de quinta-feira, um dos “crimes de guerra que a Rússia comete diariamente contra as cidades e comunidades” ucranianas. E queria também “forçar a diplomacia real”, e obrigar Moscovo a sentar-se à mesa das negociações.
“Infelizmente, a Rússia não está a fazer nada do que é necessário para acabar com a guerra e está obviamente a prolongar as hostilidades”, afirmou Yermak.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, parece ter a mesma ideia. Numa conferência de imprensa à margem do conselho de ministros franco-alemão, em Toulon, França, disse acreditar que a guerra pode continuar “por vários meses” e que Putin não parece disposto a avançar com um encontro: “Honestamente, isto não me surpreende, é parte da estratégia do Presidente russo.”
Ao lado, Emmanuel Macron, Presidente francês, deu a entender que ele ou Merz falariam com Trump durante o fim-de-semana para lhe lembrar do prazo de segunda-feira para se aferir se haverá ou não uma reunião bilateral.
Do lado russo, a já habitual falta de informação. Soube-se que, esta sexta-feira, o ministro da Defesa, Andrey Belousov, fez um ponto de situação da guerra no terreno. De acordo com a agência Interfax, salientou que as suas forças aumentaram a velocidade com que avançam na Ucrânia e que conseguiram infligir danos significativos à capacidade militar e infra-estrutura industrial. “Como resultado, a infra-estrutura de 62% das empresas — chave do complexo militar industrial da Ucrânia — ficou danificada”, afirmou. “Quero salientar que os ataques reduziram a capacidade de produção assim como os centros logísticos e locais de lançamento de drones de longo alcance.”