observador.pt - 29 ago. 11:51
Nuno Melo defende que as celebrações do 25 de Novembro são "uma prioridade" para a AD e diz que conta com apoio de figuras do PS
Nuno Melo defende que as celebrações do 25 de Novembro são "uma prioridade" para a AD e diz que conta com apoio de figuras do PS
Ministro da Defesa garante que celebração do 25 de Novembro não irá interferir na do 25 de Abril e critica a "esquerda com complexos de esquerda" que sempre votou contra propostas do CDS neste tema.
O ministro da Defesa, Nuno Melo, defendeu, esta sexta-feira, que a criação de uma comissão para organizar as celebrações do 25 de Novembro sempre foi uma prioridade para a Aliança Democrática (AD), embora a iniciativa não seja exclusiva dos partidos do Governo, uma vez que setores do PS têm defendido historicamente as celebrações.
Depois de o Governo ter anunciado a criação de uma comissão “apartidária” para comemorar a data, o governante afirmou à Rádio Observador que é necessário valorizar este dia e que não são apenas os partidos do Governo a serem vocais nesta matéria. “A verdade é que foi sempre uma prioridade. Os partidos da AD, com nuances, lutaram sempre pelas comemorações. No que tem que ver com o CDS, essas comemorações aconteceram sempre. E esse esforço é muito nítido em vários partidos, até no Partido Socialista há quem há muito reclame, de forma muito vocal, as comemorações do 25 de Novembro”, sublinhou o ministro no programa Explicador.
Ministro da Defesa defende que as celebrações do 25 de Novembro não são só uma bandeira da AD
Para Nuno Melo, “o Governo da AD é constituído por dois partidos que, no essencial, defendem há muitos anos as comemorações do 25 de Novembro”, que “traduz a democracia e a liberdade e devolve ao 25 de Abril a sua vocação originária”. “Pertenço a um partido que todos os anos, sem exceção, celebra o 25 de Novembro e a comissão faz justiça a uma data que é um referencial da liberdade que hoje desfrutamos“, sublinhou.
O ministro justifica, ainda, a comemoração da data com o atual contexto parlamentar. “A política é feita de circunstâncias, é feita de uma avaliação do contexto político de cada momento e o contexto político que agora permitiu o que estamos a fazer porventura no passado não estaria conjugado da mesma forma”, referiu, acrescentando que nos últimos anos as propostas feitas pelo partido para comemorar o 25 de Novembro foram sempre chumbadas por outras composições parlamentares, muitas vezes “por uma esquerda que tem complexos de esquerda“.
Nuno Melo terá de indicar um presidente para assegurar o comando da comissão. Embora tenha dito que os convites ainda não foram feitos, o ministro da Defesa admitiu que gostaria de ver o general Ramalho Eanes na chefia das comemorações.
Ainda assim, considera difícil: “O general Ramalho Eanes é, para mim, uma referência viva do 25 de Novembro, um militar ilustre, uma pessoa absolutamente consensual no nosso regime democrático. Pudéssemos nós contar com o general Ramalho Eanes numa função tão determinante se não fosse a circunstância do próprio”.
Na quinta-feira, durante o briefing pós-Conselho de Ministros, Nuno Melo anunciou que a comissão será composta por nove membros: um presidente designado pelo ministro, três membros indicados pelo presidente da Assembleia da República, o representante designado pela ministra da Cultura, o diretor geral de política de Defesa Nacional, o presidente da comissão portuguesa de história militar, o representante da sociedade histórica da independência nacional.
A composição da comissão irá refletir, para o Governo, a “transversalidade” e “diversidade” da celebração, ao ser “apartidária”. Nuno Melo justificou, durante o briefing, que Portugal “cumprirá assim a sua obrigação em relação a uma data que é fundamental para a consolidação da democracia e da liberdade”. “Temos consciência de que 25 de Novembro devolveu ao 25 de Abril o seu propósito originário“, disse.
O governante assegurou, ainda, que a nova comissão não vai colidir “em nada” com a comissão que está a organizar as comemorações do 25 de Abril. “O 25 de Novembro confirma o 25 de Abril. Uma e outra data são igualmente muito importantes“.
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