magalhaes.afonso@newsplex.pt - 29 ago. 11:24
Pode a Helena do PSD ser a Margarida do PS?
Pode a Helena do PSD ser a Margarida do PS?
Uma coisa o presidente da autarquia lisboeta sabe por experiência própria: por dois mil votos se ganha ou perde uma eleição
Nas eleições autárquicas de 2021, o socialista Fernando Medina – que tinha sucedido a António Costa na presidência da Câmara Municipal de Lisboa (CML) em 2015 e foi reeleito em 2017 com maioria absoluta –, era apontado pelas sondagens e pela maioria dos comentadores como vencedor garantido. Acabou por perder a disputa para uma coligação liderada pelo PSD que tinha como candidato a presidente Carlos Moedas por uma diferença de 2.294 votos.
Quando analisaram os resultados com detalhe, os socialistas chegaram à conclusão que tinha havido um episódio que contribuiu com algum peso para essa derrota mínima. A poucos dias das eleições, a revista Sábado publicou um artigo sobre Margarida Martins (PS) – que se candidatava a um terceiro mandato como presidente da Junta de Freguesia de Arroios –, em que revelava que a Segurança Social reclamava 47 mil euros à então autarca, tendo-lhe penhorado o salário e a casa. Nessa reportagem, Margarida Martins foi filmada e fotografada nas suas compras pessoais num mercado e que as tinha feito sem pagar. Um carro da junta e um fiscal foram buscá-la e levá-la a casa.
Essas imagens, repetidas em todas as estações de TV, ganharam ainda mais visibilidade nas redes sociais e causaram revolta popular, o que levou os socialistas a concluírem que, não tendo sido o único motivo, foi uma ‘marretada’ forte para o inesperado resultado.
Carlos Moedas não teve até agora nenhum problema com um presidente de junta social-democrata, mas aceitou uma proposta do CDS para incluir na sua lista à Assembleia Municipal (AM) alfacinha Helena Ferro Gouveia (HFG), comentadora da CNN e apresentada como especialista em relações internacionais.
A escolha causou de imediato polémica nas redes sociais, pelo facto de ser uma declarada apoiante de Israel, do seu governo e de muitas das suas ações na Faixa de Gaza. Esse facto que já lhe valia muitos ódios nas ditas redes sociais – onde não só responde muitas vezes de forma frontal às duras críticas, como entra em ‘bate-bocas’ com troca de palavras muito agressivas e, por vezes, até ofensivas – fez com que ganhasse ainda mais inimigos.
O problema para Moedas é que começou de imediato a ser acusado, até por assumidos simpatizantes e militantes do PSD, de ser um defensor das ideias de HFG a favor de Israel. Foram ainda lembradas muitas das suas afirmações sobre a guerra contra o Hamas. Frases como a proferida em janeiro deste ano na CNN e repetida noutras ocasiões, por outras palavras, em que afirmou: «Quando olhamos racionalmente aquilo que se passa na Faixa de Gaza, nós vemos objetivamente que fome não existe».
A polémica de 2021 com Margarida Martins que teve lugar a poucos dias das eleições logo pareceu uma brincadeira de crianças como a que está a acontecer com HFG e, por tabela, com Moedas, quando ainda faltam cerca de dois meses para a votação. E, claro, será seguramente um ‘docinho’ que a oposição ao autarca não deixará de trazer para a arena política.
Que influência terá ou não a escolha de HFG para a AM de Lisboa na eleição de 12 de outubro é impossível calcular. na capital da República. E uma derrota em Lisboa será uma tragédia para o PSD e talvez para as ambições políticas do líder do município.
*…se fosses só três sílabas de plástico, que era mais barato! (do poema Portugal de Alexandre O´Neill)
Jornalista