eco.sapo.pt - 29 ago. 19:40
Forças ucranianas reivindicam novo ataque contra oleoduto russo
Forças ucranianas reivindicam novo ataque contra oleoduto russo
Os ataques frequentes ao oleoduto Druzhba – o quarto em apenas algumas semanas – geraram tensões com a vizinha Hungria, que é abastecida através desta infraestrutura.
As forças ucranianas reivindicaram esta sexta-feira um novo ataque contra o oleoduto Druzhba, perto da cidade de Naytopovichi, na região russa de Bryansk, no mais recente episódio de uma sucessão de operações contra esta infraestrutura que gerou protestos da Hungria.
As Forças Armadas da Ucrânia publicaram um vídeo do ataque na rede social Facebook, no qual se pode ver o que parece ser uma explosão e um incêndio em baixa resolução. “Outra importante instalação inimiga que fornece produtos petrolíferos ao Exército russo foi atingida”, afirmou o Estado-Maior ucraniano num breve comunicado.
O texto destaca que as bombas da estação, que eram o alvo do ataque, tinham uma capacidade de 10,5 milhões de toneladas de diesel por ano. A estrutura foi atacada por unidades das Forças de Mísseis, Artilharia e Sistemas Não Tripulados, em cooperação com as Forças de Operações Especiais e o Serviço de Segurança da Ucrânia, segundo o comunicado.
“ Budapeste proibiu na quinta-feira a entrada no país e no espaço Schengen ao comandante ucraniano responsável pela anterior operação militares contra o oleoduto Druzhba.
“O último ataque aéreo muito grave contra o oleoduto Druzhba foi um ataque contra a soberania da Hungria”, justificou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, nas redes sociais. “Por isso, o Governo proíbe o comandante da unidade militar ucraniana de entrar na Hungria e no espaço Schengen”, referiu, sem identificar o militar.
A Hungria importa petróleo russo através do oleoduto Druzhba, que o Governo do ultranacionalista Viktor Orbán considera ser uma instalação estratégica do ponto de vista da segurança energética. Szijjártó disse que Kiev está ciente de que o oleoduto é essencial para a Hungria e que os ataques “não prejudicam principalmente a Rússia”, mas a Hungria e a Eslováquia, que também recebe petróleo através do Druzhba.
Nas últimas semanas, vários ataques aéreos ucranianos contra o oleoduto agravaram as tensões entre os dois países. Szijjártó afirmou que a gravidade do último ataque quase obrigou a Hungria a usar a reserva estratégica de petróleo de emergência.
Os ataques ucranianos com drones ocorreram no âmbito de uma intensificação dos bombardeamentos cruzados com a Rússia contra infraestruturas energéticas, quando as negociações para um acordo de paz, promovidas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não apresentam progressos.
A Rússia atacou repetidamente instalações de gás e aquecimento no último inverno na Ucrânia, enquanto Kiev atinge quase diariamente refinarias e oleodutos russos para prejudicar as exportações que financiam o esforço de guerra de Moscovo.
Além disso, as autoridades ucranianas e os seus aliados europeus condenam o Kremlin pelos seus persistentes bombardeamentos contra alvos civis, como aconteceu na quinta-feira em Kiev, provocando pelo menos 25 mortos, entre os quais quatro crianças.
A Hungria foi o único país da União Europeia (UE) a opor-se à aprovação do 19.º pacote de sanções de Bruxelas para contrariar a “natureza imprudente da Rússia”, depois dos últimos bombardeamentos na capital da Ucrânia, segundo a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas.
A Hungria importa da Rússia 65% do petróleo bruto e 85% do gás que consome e é, a par da Eslováquia, o país da UE e da NATO mais próximo de Moscovo.
As relações políticas entre Kiev e Budapeste são tensas desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. O Governo de Orbán é acusado de apoiar a invasão promovida por Moscovo, enquanto o executivo ucraniano é acusado de limitar os direitos das minorias étnicas, entre as quais a húngara, composta por cerca de 150 mil pessoas.
A Hungria opõe-se categoricamente ao apoio militar à vizinha Ucrânia e Governo de Orbán já afirmou várias vezes que bloqueará a entrada de Kiev na UE.