eco.sapo.pt - 29 ago. 14:07
Ventura dá cinco condições ao Governo para aceitar discutir OE2026
Ventura dá cinco condições ao Governo para aceitar discutir OE2026
No caderno de encargos, Chega coloca uma redução da carga fiscal, um "aumento permanente das pensões" e um "aumento das deduções fiscais em sede de IRS das despesas com habitação".
O líder do Chega, André Ventura, colocou esta sexta-feira cinco condições ao Governo para negociar o próximo Orçamento do Estado, incluindo uma redução da carga fiscal, aumento das pensões e mais verbas para as forças de segurança.
“O Chega aceita conversar sobre o Orçamento do Estado e aceita contribuir para um bom desenho do Orçamento do Estado, sob cinco condições fundamentais”, afirmou, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
André Ventura quer uma redução da carga fiscal, um “aumento permanente das pensões” e um “aumento das deduções fiscais em sede de IRS das despesas com habitação”.
O Chega coloca também como condição “um aumento significativo da dotação orçamental para o combate ao crime e estabelecimento da ordem no país”, além de “um corte sustentável na despesa dos ministérios, na despesa política e na subsidiodependência”.
“A partir daqui começaremos a desenhar a base sobre se há uma maioria política ou não há uma maioria política”, afirmou.
Ventura recusou que o Chega esteja condicionado a aprovar o Orçamento do Estado para 2026 depois de o Governo se ter comprometido com uma descida maior do IRS no próximo orçamento, para ir ao encontro de uma das exigências do Chega.
“O Chega não está condicionado, mas há aqui uma mútua responsabilidade, isso é uma evidência, quando se propõem medidas e essas medidas são aceites então há uma mútua responsabilidade de continuar a assumir essas medidas e levá-las avante, mas também da nossa parte, de exigir ao Governo que siga mesmo por esse caminho e não tenha anunciado uma coisa e agora vá fazer outra no orçamento”, salientou.
O líder do Chega confirmou que a reunião entre o seu grupo parlamentar e o Governo, no âmbito de uma ronda de encontros anunciada na quinta-feira pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, vai decorrer na próxima quarta-feira de manhã.
Ventura acusa Marcelo de imprudênciaNa mesma conferência de imprensa, André Ventura disse que o Presidente da República foi “extremamente imprudente” quando disse que o seu homólogo dos Estados Unidos funciona como um “ativo soviético”, acusando-o de “a perder credibilidade”.
“O Presidente da República tem direito a ter a sua posição enquanto cidadão. Parece-me de uma certa imprudência que o Presidente da República se refira a um dos nossos maiores aliados, os Estados Unidos da América, ao Presidente dos Estados Unidos da América, dessa forma, com o potencial que aqui há de criar um conflito diplomático severo”, afirmou.
Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, André Ventura foi questionado sobre as declarações do chefe de Estado na quarta-feira, na Universidade de Verão do PSD. Marcelo Rebelo de Sousa (EUA) disse que Donald Trump funciona hoje como um “ativo soviético”, ao favorecer a Federação Russa na guerra contra a Ucrânia.
O líder do Chega considerou que os EUA são “do ponto de vista militar, do ponto de vista económico e do ponto de vista civilizacional dos maiores aliados” de Portugal, países que têm “uma relação militar longa” e integram ambos a NATO.
André Ventura defendeu que Marcelo foi “extremamente imprudente em fazer esse tipo de categorização sobre o presidente de um país que é aliado militar e político” de Portugal.
O líder do Chega criticou também Marcelo Rebelo de Sousa por receber “de braços abertos o Presidente do Brasil, que esteve preso por corrupção”.
“Acho que há aqui uma certa contradição que leva, francamente, a que o Presidente comece a perder um pouco a credibilidade nacional e internacional. Vamos ser francos, isto só não está a gerar mais conflito internacional, francamente, sem querer ser ofensivo, porque mesmo na esfera internacional ninguém já leva muito a sério as palavras do Presidente da República portuguesa, porque senão isto seria um conflito muito, muito sério, diplomático, que poderia trazer consequências sérias para Portugal dos vários pontos de vista”, defendeu.
Na quarta-feira, o Presidente da República participou na Universidade de Verão do PSD, uma iniciativa de formação de jovens quadros que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre).
Num painel intitulado “As respostas do Presidente”, o chefe de Estado fez uma intervenção inicial em que abordou a situação internacional, apontando Donald Trump como o exemplo de um novo estilo de lideranças políticas, mais emocionais e que apostam no contacto direto com os cidadãos, sem mediação, num mundo em que a balança de poderes também se alterou.
“Com uma coisa peculiar e complexa: é que o líder máximo da maior superpotência do mundo, objetivamente, é um ativo soviético, ou russo. Funciona como ativo”, afirmou.