observador.pt - 29 ago. 17:27
Cancro infantil teve impacto mensal de 655 euros por doente nas famílias em 2024
Cancro infantil teve impacto mensal de 655 euros por doente nas famílias em 2024
A estimativa junta perdas de rendimento combinadas com aumento de despesas. A associação apela a revisão de medidas e relembra que "nenhuma criança, jovem ou família deve enfrentar o cancro sozinho".
O diagnóstico de cancro numa criança teve um impacto mensal de 655 euros nas famílias no ano passado, adiantou esta sexta-feira a Acreditar — Associação de Pais e de Amigos de Crianças com Cancro, que lamentou falhas nos apoios sociais.
No início do “setembro dourado”, mês de sensibilização para o cancro infantil, a Acreditar alerta que “é urgente corrigir injustiças” na assistência a crianças com doença oncológica.
“No último levantamento de problemas em oncologia pediátrica feito pela Acreditar, em 2024 verificou-se que as famílias enfrentam em média um impacto mensal de 655 euros após o diagnóstico, resultante da soma entre perdas de rendimento e aumento de despesas”, refere a associação em comunicado.
De acordo com a Acreditar, é necessário manter o rendimento das famílias anterior ao diagnóstico, e não os atuais 65%, permitir que ambos os cuidadores possam usufruir de licença nas fases mais críticas e eliminar o teto de dois Indexantes de Apoios Sociais, que reduz de forma significativa a proteção de muitas famílias.
“Estas mudanças são essenciais para garantir estabilidade financeira num momento em que tudo o resto já é incerto”, sustenta o organismo criado em 1994.
A Acreditar defende que é “tempo de agir” nos apoios sociais, na organização dos cuidados e na resposta aos jovens adultos com cancro, considerando que “há sinais de pressão preocupante nos serviços de oncologia pediátrica e faltam políticas que deem resposta às especificidades dos jovens adultos com cancro”.
“Os serviços de oncologia pediátrica estão a enfrentar pressões significativas, com impacto direto no acompanhamento das crianças, adolescentes e famílias. A falta de profissionais especializados agrava a situação e cria um risco real para a qualidade da resposta no futuro. Portugal precisa de reorganizar esta área, assegurando que os recursos são bem alocados, que existem equipas dedicadas, que se juntam cuidados com investigação”, realça.
Para a associação, Portugal deve aprender com o que está a ser feito em alguns países europeus e transformar a oncologia pediátrica num modelo-piloto de reorganização do sistema de saúde.
“A organização dos cuidados deve assentar em infraestruturas dedicadas, equipas multidisciplinares e centralização das áreas mais complexas, garantindo qualidade e equidade em toda a Europa”, sublinha.
Recordando que nenhuma criança, jovem ou família deve enfrentar o cancro sozinho, a Acreditar lamenta que os adolescentes diagnosticados com a doença “continuam em terra de ninguém, sem respostas adequadas às suas necessidades” e defende que “devem existir programas de transição planeados para esta faixa etária, com planos de cuidados de sobrevivência personalizados e acompanhamento ao longo da vida”.
No âmbito do mês de sensibilização para o cancro infantil e do seu 30.º aniversário, a Acreditar promove um programa de conferências, que encerra a 11 de outubro, em Coimbra.
As comemorações da associação terminarão com um concerto de Sérgio Godinho no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, a 25 de outubro, às 20h00.