observador.pt - 29 ago. 19:39
Macron rejeita renunciar perante nova crise política em França
Macron rejeita renunciar perante nova crise política em França
O primeiro-ministro, François Bayrou, irá enfrentar um voto de confiança no parlamento em setembro, originando uma nova crise política. No entanto, Macron garante que exercerá o mandato até ao fim.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, descartou esta sexta-feira renunciar, como pedem a extrema-direita e a esquerda radical, que o responsabilizam pela nova crise política no país, a poucos dias de uma moção de confiança ao Governo.
“A democracia consiste em as pessoas irem votando para um determinado mandato (…) independentemente do que outras pessoas pensem, incluindo aquelas que foram repetidamente derrotadas nessas mesmas eleições”, declarou Macron, numa conferência de imprensa conjunta com o chanceler alemão, Friedrich Merz, após um encontro em Toulon, sudeste de França.
O partido de extrema-direita União Nacional, o maior grupo parlamentar, e a França Insubmissa (esquerda radical), terceira maior força no parlamento, pediram que Macron renuncie e convoque eleições presidenciais antecipadas — o mandato termina em 2027.
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“O mandato que me foi confiado pelos franceses e por ninguém mais é um mandato que exercerei até o fim, de acordo com o compromisso que assumi com o povo francês”, declarou esta sexta-feira Macron.
O Presidente francês, no entanto, disse que ainda espera que Bayrou garanta o apoio necessário para o plano de poupança de 44 mil milhões de euros em 2026, permitindo-lhe superar o voto de confiança.
Macron defendeu que é possível encontrar “formas de chegar a um acordo”, apesar das diferenças, e pediu às partes que “assumam as suas responsabilidades”.
Para já, a oposição prometeu votar contra o primeiro-ministro.
Se o Governo de Bayrou cair, Macron, dadas as suas prerrogativas constitucionais, assume o centro das atenções: poderia dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições legislativas antecipadas (que seriam as segundas em menos de um ano e meio) ou nomear diretamente um novo primeiro-ministro.
No entanto, tal exigiria o apoio da Assembleia, um cenário complexo devido à fragmentação política e à política de vetos mútuos entre os partidos.