observador.pt - 29 ago. 20:35
Hamas avisa que reféns correm os "mesmos riscos" dos seus combatentes
Hamas avisa que reféns correm os "mesmos riscos" dos seus combatentes
O movimento islamita advertiu que os reféns israelitas estarão junto dos seus combatentes "nas zonas de combate e de confronto" e "sujeitos aos mesmos riscos e às mesmas condições de vida".
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O grupo islamita palestiniano Hamas alertou esta sexta-feira que os reféns na sua posse correm os “mesmos riscos” que os seus próprios combatentes enfrentam perante as tropas israelitas na Faixa de Gaza.
“Cuidaremos dos prisioneiros [reféns] da melhor forma possível, e eles estarão com os nossos combatentes nas zonas de combate e de confronto sujeitos aos mesmos riscos e às mesmas condições de vida”, afirmou o Hamas em comunicado, numa fase em que Israel se prepara para executar a sua operação militar para ocupar a Cidade de Gaza.
A nova etapa do conflito, aprovada por Israel sob uma vaga de críticas internacionais e dentro do próprio país, é justificada com o objetivo de aniquilar o Hamas e recuperar os reféns ainda em cativeiro, embora o comandante do Exército israelita tenha advertido que a operação pode colocar as suas vidas em perigo.
“Por cada refém morto na agressão, publicaremos o seu nome, foto e prova de morte”, acrescentou o comunicado do Hamas, atribuído ao porta-voz do braço armado do movimento, conhecido pelo nome de guerra Abu Obeida.
Dos 251 reféns em posse do grupo islamita, 47 permanecem na Faixa de Gaza, incluindo cerca de 20 que se presume ainda vivos.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou esta sexta que os corpos de mais dois reféns foram recuperados no território.
Além da destruição dos últimos bastiões do Hamas no enclave, o plano israelita prevê também a deslocação forçada de centenas de milhares de habitantes da Cidade de Gaza, que o Exército israelita declarou esta sexta-feira oficialmente como “zona de combate”.
“O Exército inimigo e o seu Governo terrorista (…) serão totalmente responsáveis” pelo destino dos reféns, afirmou o Hamas na mesma nota informativa, acrescentando que os planos se virarão contra os líderes político e militares israelitas.
A guerra em curso foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.
A retaliação de Israel já provocou mais de 63 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e um desastre humanitário sem precedentes na região.
A ONU já declarou situação de fome na Cidade de Gaza, como resultado de quase dois anos de guerra e de um bloqueio imposto por Israel ao território desde março.